quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pela ampliação da maioridade moral E pelo aumento do nosso rigor ao exigir o cumprimento da lei de governantes que querem aumentar o rigor da lei (e também dos que não querem)

Eu acredito na indignação. É dela e do espanto que vêm a vontade de construir um mundo que faça mais sentido, um em que se possa viver sem matar ou morrer. Por isso, diante de um assassinato consumado em São Paulo por um adolescente a três dias de completar 18 anos, minha proposta é de nos indignarmos bastante. Não para aumentar o rigor da lei para adolescentes, mas para aumentar nosso rigor ao exigir que a lei seja cumprida pelos governantes que querem aumentar o rigor da lei. Se eu acreditasse por um segundo que aumentar os anos de internação ou reduzir a maioridade penal diminuiria a violência, estaria fazendo campanha neste momento. Mas a realidade mostra que a violência alcança essa proporção porque o Estado falha – e a sociedade se indigna pouco. Ou só se indigna aos espasmos, quando um crime acontece. Se vivemos com essa violência é porque convivemos com pouco espanto e ainda menos indignação com a violência sistemática e cotidiana cometida contra crianças e adolescentes, no descumprimento da Constituição em seus princípios mais básicos. Se tivessem voz, os adolescentes que queremos encarcerar com ainda mais rigor e por mais tempo exigiriam – de nós, como sociedade, e daqueles que nos governam pelo voto – maioridade moral. 
Se é de crime que se trata, vamos falar de crime. E para isso vale a pena citar um documento da Fundação Abrinq bastante completo, que reúne os estudos mais recentes sobre o tema. Mais de 8.600 crianças e adolescentes foram assassinados no Brasil em 2010, segundo o Mapa da Violência. Vou repetir: mais de 8.600. Esse número coloca o Brasil na quarta posição entre os 99 países com as maiores taxas de homicídio de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos. Em 2012, mais de 120 mil crianças e adolescentes foram vítimas de maus tratos e agressões segundo o relatório dos atendimentos no Disque 100. Deste total de casos, 68% sofreram negligência, 49,20% violência psicológica, 46,70% violência física, 29,20% violência sexual e 8,60% exploração do trabalho infantil. Menos de 3% dos suspeitos de terem cometido violência contra crianças e adolescentes tinham entre 12 e 18 anos incompletos, conforme levantamento feito entre janeiro e agosto de 2011. Quem comete violência contra crianças e adolescentes são os adultos.  
Será que o assassinato de mais de 8.600 crianças e adolescentes e os maus tratos de mais de 120 mil não valem a nossa indignação? 
Diante desse massacre persistente e cotidiano, talvez se pudesse esperar um alto índice de violência por parte de crianças e adolescentes. E a sensação da maioria da população, talvez os mesmos que clamam por redução da maioridade penal, é que há muitos adolescentes assassinos entre nós. É como se aquele que matou Victor Hugo Deppman na noite de 9 de abril fosse legião. Não é. Do total de adolescentes em conflito com a lei em 2011 no Brasil, 8,4% cometeram homicídios. A maioria dos delitos é roubo, seguido por tráfico. Quase metade do total de adolescentes infratores realizaram o primeiro ato infracional entre os 15 e os 17 anos, conforme uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). E, adivinhe: a maioria abandonou a escola (ou foi abandonado por ela) aos 14 anos, entre a quinta e a sexta séries. E quase 90% não completou o ensino fundamental.  
Será que não há algo para pensar aí, uma relação explícita? Não são a escola – como lugar concreto e simbólico – e a educação – como garantia de acesso ao conhecimento, a um desejo que vá além do consumo e também a formas não violentas de se relacionar com o outro – os principais espaços de dignidade, desenvolvimento e inclusão na infância e na adolescência?  
É demagogia fazer relação entre educação e violência, como querem alguns? Mas será que é aí que está a demagogia? É sério mesmo que a maioria da população de São Paulo acredita que tenha mais efeito reduzir a maioridade penal em vez de pressionar o Estado – em todos os níveis – a cumprir com sua obrigação constitucional de garantir educação de qualidade?
Não encontro argumentos que me convençam de que a redução da maioridade penal vá reduzir a violência. E encontro muitos argumentos que me convencem de que a violência está relacionada ao que acontece com a escola no Brasil. A começar pelo recado que se dá a crianças e adolescentes quando os professores são pagos com um salário indigno.   Aqueles que escolhem (e eles são cada vez menos) uma das profissões mais importantes e estratégicas para o país se tornam, de imediato, desvalorizados ensinando (ou não ensinando) outros desvalorizados. Será que essa violência – brutal de várias maneiras – não tem nenhuma relação com a outra que tanto nos indigna?  
Teríamos mais esperança de mudança real se, diante de um crime bárbaro, praticado por um adolescente a três dias de completar 18 anos, o povo fosse às ruas exigir que crianças e jovens sejam educados – em vez de bradar que sejam enjaulados mais cedo ou com mais rigor nas prisões que tão bem conhecemos. Vale a pena pensar, e com bastante atenção: a quem isso serve?   
É uma mentira dizer que os adolescentes não são responsabilizados pelos atos que cometem. O tão atacado Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a responsabilização, sim. Inclusive com privação de liberdade, algo tremendo nessa faixa etária. Mas, de novo, o Estado não cumpre a lei. Numa pesquisa realizada pelo CNJ, apenas em 5% de quase 15 mil processos de adolescentes infratores havia informações sobre o Plano Individual de Atendimento (PIA), que permitiria que a medida socioeducativa funcionasse como possibilidade de mudança e desenvolvimento.   
Alguém pensa em se indignar contra isso?  
Se você se alinha àqueles que querem que os adolescentes sejam encarcerados, torturados e sexualmente violados para pagar pelos seus crimes, pode se alegrar. É o que acontece na prática numa parcela significativa das instituições que deveriam dar exemplo de cumprimento da lei e oferecer as condições para que esses adolescentes mudassem o curso da sua história, como mostrou uma reportagem do Fantástico feita por Marcelo Canellas, Wálter Nunes e Luiz Quilião. Segundo a pesquisa do CNJ já citada, em 34 instituições brasileiras, pelo menos um adolescente foi abusado sexualmente nos últimos 12 meses, em 19 há registros de mortes de jovens sob a tutela do Estado, e 28% dos entrevistados disseram ter sofrido agressões físicas dos funcionários. Sem contar que, em 11 estados, as instituições operam acima da sua capacidade.  
Será que a perpetuação da violência juvenil decorre da falta de rigor da lei ou do fato de que parte das instituições de adolescentes funciona na prática como um campo de concentração? Antes de tentar mudar a lei, não seria mais racional cumpri-la?
É o que o bom senso parece apontar. Mas é previsível que, num ano pré-eleitoral e com 93% dos paulistanos a favor da redução da maioridade penal, segundo pesquisa do Datafolha, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) prefira enviar ao Congresso um projeto para alterar o ECA, passando o período máximo de internação dos atuais 3 anos para 8 anos em casos de crimes hediondos. Uma medida tida como enérgica e rápida, num momento em que o Estado de São Paulo sofre com o que o próprio vice-governador, Afif Domingos (PSD), definiu como “epidemia de insegurança” – situação que não tem colaborado para aumentar a popularidade do atual governo.  
Vale a pena registrar ainda que o número de crimes contra a pessoa cometidos por adolescentes diminuiu – e não aumentou, como alguns querem fazer parecer. Segundo dados da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, entre 2002 e 2011 os casos de homicídio apresentaram uma redução de 14,9% para 8,4%; os de latrocínio (roubo seguido de morte), de 5,5% para 1,9%; e os de estupro, de 3,3% para 1%. Vale a pena também dar a dimensão real do problema: da população total dos adolescentes brasileiros, apenas 0,09% cumprem medidas socioeducativas como infratores. Vou repetir: 0,09%. E a maioria deles cometeram crimes contra o patrimônio. 
É claro que, se alguém acredita que os crimes cometidos pelos adolescentes não têm nenhuma relação com as condições concretas em que vivem esses adolescentes, assim como nenhuma relação com as condições concretas em que cumprem as medidas socioeducativas, faz sentido acreditar que se trata apenas de “vocação para o mal”. Entre os muitos problemas desse raciocínio que parece afetar o senso comum está o fato de que a maioria dos adolescentes infratores é formada por pretos, pardos e pobres. (São também os que mais morrem e sofrem todo o tipo de violência no Brasil.) Essa espécie de “marca da maldade” teria então cor e estrato social? Nesse caso, em vez de melhorar a educação e as condições concretas de vida, a única medida preventiva possível para quem defende tal crença seria enjaular ao nascer – ou nem deixar nascer. Alguém se lembra de ter visto esse tipo de tese em algum momento histórico? Percebe para onde isso leva? 
Há que ter muito cuidado com o que se deseja – e com o que se defende. Assim como muito cuidado em não permitir que manipulem nossa indignação e nossa aspiração por um mundo em que se possa viver sem matar ou morrer.  
Se eu estivesse no lugar dos pais de Victor Hugo Deppman, talvez, neste momento de dor impossível, eu defendesse o aumento do número de anos de internação, assim como a redução da maioridade penal. Não há como alcançar a dor de perder um filho – e de perdê-lo com tal brutalidade. Diante de um crime bárbaro, qualquer crime bárbaro e não apenas o que motivou o atual debate, os parentes da vítima podem até desejar vingança. É uma prerrogativa do indivíduo, daqueles que sofrem o martírio e estão sob impacto dele. Mas o Estado não tem essa prerrogativa.
O indivíduo pode desejar vingança em seu íntimo, o Estado não pode ser vingativo em seus atos. Do Estado se espera que leve adiante o processo civilizatório, as conquistas de direitos humanos tão duramente conquistadas. E, como sociedade, nossa maturidade se mostra pelo conteúdo que damos à nossa indignação. É nas horas críticas que mostramos se estamos ou não à altura da nossa época – e de nossas melhores aspirações.

De minha parte, sempre me surpreendi não com a violência cometida por adolescentes – mas que não seja maior do que é, dado o nível de violência em que vive uma parcela da juventude brasileira, a parcela que morre bem mais do que mata. E só testemunhei a sociedade brasileira olhar de verdade – olhar para ver essa realidade – uma única vez: quando o Brasil assistiu, em horário nobre do domingo, ao documentário Falcão - Meninos do tráfico. É um bom momento para revê-lo.
Sabe por que a violência praticada por adolescentes não é maior do que é? Por causa de seus pais – e especialmente de suas mães. A maioria delas trabalha dura e honestamente, muitas como empregadas domésticas, cuidando da casa e dos filhos das outras. Contra tudo e contra todos, numa luta solitária e sem apoio, elas se viram do avesso para garantir um futuro para seus filhos. O extraordinário é que, apesar de sua enorme solidão, sem amparo e com falta de tudo, a maioria consegue. Àquelas que fracassam cabe a dor que não tem nome, a mesma dor impossível que vive a mãe de Victor Hugo Deppman: enterrar um filho.

Em 2006, espantada com uma geração de brasileiros, a maioria negros e pobres, cuja expectativa de vida era 20 anos, andei pelo país atrás dessas mulheres. Elas respiravam, mas não sei se estavam vivas. Lembro especialmente uma, a lavadeira Enilda, de Fortaleza. Quando o primeiro filho foi assassinado pela polícia, ela estava com as prestações do caixão atrasada. O pai do menino tinha ganhado um dinheiro fazendo pão e, em meio à enormidade da sua dor, eles correram para regularizar o pagamento. Quando conversei com ela, Enilda pagava as prestações do caixão do segundo filho. O garoto ainda estava vivo, mas em absoluta impotência, essa mãe tinha certeza de que o filho morreria em breve. Diante da minha perplexidade, Enilda me explicou que se precavia porque testemunhava muitas mães nas redondezas pedindo esmola para enterrar os filhos – e ela não queria essa humilhação. Enilda dizia: “Meu filho vai morrer honestamente”.

Nunca alcancei essa dor, que era não apenas de enterrar um filho, mas também de comprar caixão para filho vivo, o único ato de potência de uma mulher que perdera tudo. Enilda vivia numa situação de precariedade quase absoluta, tentando trancar nas peças apertadas da casa os filhos que restavam, num calor infernal, para que não fossem às ruas e se viciassem em crack. É claro que perdia todas as suas batalhas. A certeza de ser honesta era, para ela, toda a sanidade possível. (leia aqui).
O que podemos dizer a mulheres como Enilda? Que agora podem ficar tranquilas porque o país voltou a discutir a redução da maioridade penal e o aumento do período de internação? Que é por falta de cadeia logo cedo que seus filhos vendiam e consumiam drogas, roubavam e foram assassinados? Que, ao saber que podem ir presos aos 16 em vez dos 18 anos, seus filhos ainda vivos aceitarão as péssimas condições de vida e levarão uma existência em que não trafiquem, roubem nem sejam mortos? Que é disso que se trata? Quando o primeiro filho de Enilda foi executado, ele tinha 20 anos – e já tinha passado por instituições para adolescentes e pela prisão.

Antes de tornar-se algoz, a maioria das crianças e adolescentes que infringiram a lei foi vítima. E ninguém responde por isso.

Não há educação sem responsabilização. É por compreender isso que o ECA prevê medidas socioeducativas. Mas, quando a solução apresentada é aumentar o rigor da lei – e/ou reduzir a maioridade penal –, pretende-se dar a impressão à sociedade que os adolescentes não são responsabilizados ao cometer um crime. Essa, me parece, é a falsa questão, que só empurra o problema para a frente. A questão, de fato, é que nem o Estado, nem a sociedade, se responsabilizam o suficiente pela nova geração de brasileiros.

Educa-se também pelo exemplo. Neste caso, governantes e parlamentares poderiam demonstrar que têm maioridade moral cumprindo e fazendo cumprir a lei cujo rigor (alguns) querem aumentar. 
 (Eliane Brum escreve às segundas-feiras.)

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO RENDE BEM MENOS QUE CADERNETA DE POUPANÇA: NÃO SEJA ENGANADO




TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO RENDE BEM MENOS QUE CADERNETA DE POUPANÇA: NÃO SEJA ENGANADO

Com uma rápida pesquisa na internet é possível encontrar textos de diversos especialistas execrando “investimentos” em títulos de capitalização. Meu amigo Conrado Navarro do Dinheirama, por exemplo, há algum tempo escreveu excelente artigo sobre o assunto (veja aqui). Mesmo com tanta informação posta sobre a mesa, muitas pessoas ainda continuam colocando seu suado dinheiro nessa péssima alternativa, seja por falta de informação, seja pela esperança de serem sorteadas e ganharem o prêmio.

Nesse contexto, o presente artigo tem o intuito de acrescentar mais argumentos contrários às aplicações em títulos de capitalização, à medida que calculará as perdas causadas pelas características intrínsecas a essa alternativa. Talvez, demonstrando com números o porquê da não recomendação dos especialistas, menos pessoas entrem nessa cilada, que na maioria das vezes é estimulada pelo gerente do banco (é a tal meta... a meta...).

Dados utilizados
Para calcular os impactos negativos de uma aplicação em títulos de capitalização, foram utilizadas informações reais, colhidas do site de um grande banco brasileiro. Veja excerto retirado do documento “condições gerais”, disponibilizado pelo banco:

“A reserva de capitalização é formada por parte do valor pago pelo Subscritor, sendo este o valor que será resgatado. Representa o percentual de cada valor pago, sendo 10% do 1º ao 3º pagamentos, 70% do 4º pagamento e 94,77% do 5º ao 48º pagamentos. O valor será mensalmente atualizado pela taxa de remuneração básica aplicada à caderneta de poupança do 1º dia do mês e acrescido pela taxa de juros de 0,5% ao mês.”

Traduzindo:
Reserva de capital é o dinheiro que você (o subscritor) poderá sacar ao final de 48 meses (que é o prazo deste título de capitalização);
- Do valor que depositar nos primeiros três meses, somente 10% irão para sua reserva de capitalização, ou seja, ao depositar R$200,00 do primeiro ao terceiro mês, apenas R$20,00 irão para sua reserva a cada mês e poderão ser sacados depois de quatro anos (com juros);
- Do dinheiro depositado no quarto mês, apenas 70% será seu (com juros); e do quinto mês em diante94,77% do dinheiro aplicado será passível de resgate (mais juros).

Agora lhe pergunto: você acha que algum gerente detalhará essas informações sem que a pessoa pergunte? Obviamente a ênfase será dada ao argumento: “mesma rentabilidade que a poupança, com possibilidade de ganhar prêmios”. Tal estratégia de vendas junta em uma alternativa só tudo o que um brasileiro típico gosta: alguma rentabilidade e ter a fé de ganhar dinheiro na sorte.

Caderneta de Poupança versus Títulos de Capitalização
Creio que já ouviu ou leu que a Caderneta de Poupança não é dos melhores investimentos em renda fixa disponíveis, certo? Que existem opções melhores... e isso é realmente verdade. Entretanto, mesmo com essa baixa rentabilidade, será mostrado como um título de capitalização perde de goleada de um simples investimento em Poupança.

Apesar de o gerente dizer que a remuneração do capital aplicado em títulos de capitalização é a mesma da Caderneta de Poupança, ele omite que nesta última TODO o dinheiro vai para sua conta (não há taxas), enquanto nos títulos de capitalização, apenas parte do valor depositado fará parte de sua reserva de capitalização e sofrerá incidência de juros.
Veja o caso dos três primeiros meses. Enquanto na poupança você aplica integralmente R$200,00, nos títulos apenas R$20,00 são destinados à sua reserva. Uma boa diferença, não?
Na figura abaixo apresento os saldos, ao longo dos 4 anos, das duas alternativas, considerando depósitos mensais de R$200,00 e uma taxa de juros, também mensal, de 0,6%.



É possível notar na figura que, já no início do período, o investimento em Caderneta de Poupança sai na frente, pelo simples fato de não haver os descontos astronômicos da aplicação em títulos de capitalização. E essa diferença de saldos só tende a aumentar com o tempo.

Também com base no exemplo citado, se uma pessoa optasse por guardar R$200,00, todo mês, debaixo do colchão, sem ganhar um centavo de juros sequer, teria um montante de R$9.600,00 (12 x R$200,00). Ao aplicar em títulos de capitalização, nestas condições, teria meros R$9.772,95. Enquanto na caderneta de poupança, o saldo seria de R$11.087,00.

E é possível piorar a situação? SIM, se ainda considerarmos o imposto de renda.

Sobre os míseros R$172,95 dos juros acumulados no título de capitalização (R$9.772,95 - R$9.600,00) ainda haverá incidência de imposto de renda de 20%, fazendo com que o valor a ser resgatado seja, na verdade, de R$9.738,36. Já a poupança é isenta de cobrança de imposto.
Esses cálculos mostram que para 48 aplicações mensais de R$200,00, o valor a ser resgatado em uma caderneta de poupança seria quase 14% maior que nos títulos de capitalização, isto é, a perda seria de exatos R$1.348,64 ao aplicar em títulos ao invés da poupança. Um bocado, não acha?

Mas nos títulos de capitalização, há a chance de ser sorteado...
Nas regras do título de capitalização do banco usado como exemplo, cada participante que estiver com seus depósitos em dia, receberá dois números de 6 dígitos. Exemplo: após minha primeira aplicação de R$200,00 recebo os números 524.458 e 895.256; todo mês ocorrerão sorteios, vinculados à Loteria Federal, com regras específicas, em que se o meu número for sorteado, receberei um prêmio de 50 vezes o valor da última aplicação; para o nosso caso, tal prêmio equivaleria a R$10.000,00. Nos meses de dezembro, existe um prêmio muito maior, em que se multiplica o último valor depositado por 1666. Que bolada!
Tais possibilidades seriam interessantes, até, quem sabe, compensando a baixa rentabilidade, se não fossem de probabilidade tão baixa.
Os números a serem sorteados vão de 000.000 a 999.999, ou seja, existem 1 milhão de combinações, e você tem dois números para concorrer, o que daria duas chances em 1 milhão. Mas as chances são relativamente maiores, dado que são sorteados 135 números por mês, durante os quatro anos de vigência do título.
Pedi ajuda a um amigo professor, mestre na arte das probabilidades, e ele me passou uma receita de como calcular essa probabilidade acumulada de ganho. Usando de Distribuição Hipergeométrica e Binomial (ops, falei bonito agora), cheguei em valor próximo a 1% de chance de sucesso.
Assim, sua decisão se baseia em: 99% de chances de ter uma remuneração pífia durante QUATRO anos e 1% de chance de ganhar os R$10.000,00 (vale lembrar que o prêmio de dezembro, que seria a maior bolada, são apenas 5 números sorteados em vez de 135... o banco não é bobo, né?). Assim, fica a seu critério a decisão de aceitar ou não perder dinheiro para o banco com 99% de chance. Eu não recomendo!!!

E tem mais...
Se, por ventura, você decidir resgatar seu dinheiro do título de capitalização antes do tempo de 48 meses, você sofrerá duras penalizações. Existem regras que quase obrigam o cliente continuar depositando os R$200,00 até o final do prazo, pois corre o risco de sacar menos dinheiro do que aplicou.
É por todos esses fatores que os especialistas aconselham que se fique longe dos títulos de capitalização. A dica é: busque construir riqueza através de competência financeira e não por sorte.

E quem disse que não podemos vencer os "poderosos?" Os poderosos só parecem grandes porque estamos de joelhos!



terça-feira, 16 de abril de 2013

Porque o filho de uma atriz da Globo tem muita mais importancia que uma mulher que teve seu filho morto pela ditadura e ainda é considerado desaparecido político.



Porque o filho de uma atriz da Globo tem muita mais importancia que uma mulher que teve seu filho morto pela ditadura e ainda é considerado desaparecido político.

Por que sou contra a redução da Maior Idade Penal?


Amigos,

Na minha opinião ele disse tudo que eu acho sobre o caso. Ninguém quer impunidade, agora achar que vai resolver o problema apenas colocando na cadeia crianças de 8 anos é demais pra mim. Sim pois já chegou nessa idade infelizmente a criminalidade. O crack esta devastando nossa infância e juventude. Por que será? Será apenas um desvio de conduta, como os crimes são chamados quando são praticados por pessoas da elite? Alias a impunidade geralmente não é privilégio do Pobre mas sim do Rico, vide filho do Eike Batista. Parabéns Tico Santa Cruz, pois era mais fácil como muitos, cair no conto da Pena de Morte, no conto da diminuição da Maioridade Penal, enquanto as crianças e adolescentes não tem escolas de qualidade, não tem emprego e querem que sejam cordatos e aceitem os desígnios dessa sociedade capitalista preconceituosa e nazista.
Por Tico Santa Cruz
"Por que sou contra a redução da Maior Idade Penal?

Toda vez que acontece um crime bizarro que choca a classe média o assunto sobre a redução da maior idade penal volta ao debate. Foi assim quando meu irmão de banda - Rodrigo Netto - foi assassinado num assalto aqui no Rio em 2006, após a morte do menino João Hélio em 2007 e agora com o triste acontecimento em São Paulo do Estudante Victor Hugo.
Todos compartilhamos de alguma forma da dor destas famílias e nos REVOLTAMOS com a situação, que de fato mexe muito com nossas emoções diante do entendimento de que a banalização da vida vem chegando a níveis extremos.
Deixo aqui meus sentimentos a família de Victor Hugo, mas quero dar um sinal de ALERTA a respeito dessa mobilização que é importante para se DEBATER a redução ou não sobre a maio idade penal. Por algumas questões que hei de expor para que vocês possam apenas refletir sobre o tema antes de tomar partido para um lado ou para o outro.

- Primeiro.
Quero deixar claro que concordo plenamente que um jovem de 16 anos seja capaz de ter discernimento sobre o que está fazendo de suas escolhas na vida. Isso é sem dúvida nenhuma um ponto em que acredito que todos concordem.
Contudo minha abordagem será um pouco mais profunda.

Por que sou CONTRA a Redução da Maior idade penal?

- Sou contra a redução da maior idade penal por algumas questões que precisam ser resolvidas pelo Brasil antes de jogarmos jovens atrás das grades em presídios ao lado de criminosos que já foram julgados e condenamos e cumprem pena em locais onde não há qualquer cuidado por parte dos Governos para a reabilitação desses homens.
Leve em consideração que não existe prisão perpétua nesse país, então por maior que seja a pena de um criminoso receba, em 10 anos ele estará de volta as ruas.
Você jogando um adolescente de 16 anos nesse mesmo lugar e mantendo-o por 10 anos preso, sem nenhuma preocupação ou compromisso de oferecer a este indivíduo condições de melhorar sua conduta, seus valores e princípios - ele entrando com 16 no presídio, com 26 anos sairá MUITO PIOR do que quando cometeu seu crime. Certamente será cooptado por comandos criminosos e aprenderá no interior do sistema penitenciário tudo que precisará usar contra a própria sociedade para dispor contra a mesma sua revolta, sua falta de educação, de respeito, de amor, de carinho e de DIGNIDADE.

*** Então para que possamos Reduzir a Maior Idade Penal primeiro devemos pensar para onde mandaremos esses jovens e como trabalharemos para reabilitá-los. Sob o risco de estarmos na verdade criando novos monstros que no auge de suas capacidades como HOMENS estarão livres e soltos nas ruas.

- Sou Contra a Redução da Maior idade penal porque a JUSTIÇA desse país enxerga e enxerga muito bem quando um indivíduo é POBRE e quando o outro tem condições de pagar bons advogados e possuí estrutura financeira para conseguir usufruir do benefício da IMPUNIDADE.
Para ser A FAVOR DA REDUÇÃO DA MAIOR IDADE, precisamos ter certeza que o Jovem Rico ou de Classe média que cometer um crime, será julgado da mesma forma que um pobre e excluído socialmente.
Se isso não for colocado em pauta o que teremos no futuro será um funil judicial que empurrará jovens pobres para a cadeia enquanto os que tem recursos serão livrados.
É o que acontece ATUALMENTE e TODOS NÓS SABEMOS e observamos. Gente que tem DINHEIRO não vai presa no BRASIL. Quantos casos podemos relatar aqui neste post para comprovar que a realidade é essa?
Já trabalhei dentro de presídios e carceragens pelo país e a população que se encontra presa em sua grande maioria é Negra, analfabeta, pobre e não teve nenhuma condição de desfrutar dos direitos BÁSICOS que o GOVERNO DEVE OFERECER para o cidadão, fazendo com que crianças e jovens tenham condições de crescer e evoluir da forma que se faz necessário para que tenhamos uma sociedade JUSTA e que funcione de forma que não precisemos atolar os presídios de gente para que tenhamos uma falsa sensação de segurança.

- Sou Contra a redução da maior idade penal enquanto o ESTADO não oferecer a POPULAÇÃO como um TODO dignidade, para que as crianças e jovens que estão por ai LARGADOS e ABANDONADOS, sendo ignorados por grande parte de nós, não recebam respaldo e oportunidades para que não encontrem no caminho do CRIME a solução de suas mazelas.

A SOCIEDADE DO CONSUMO DESENFREADO E SEM ESCRÚPULOS está o tempo inteiro mostrando em seus canais de comunicação que o importante, o legal o bacana é TER, COMPRAR, POSSUIR - Tênis, Carros, Celulares, Computadores, bens materiais que dividem as pessoas por STATUS - e assim como quem tem condições de comprar está sendo bombardeado por estes estímulos, QUEM NÃO TEM - Também acaba acreditando que possuir bens materiais e OSTENTÁ-LOS é o que fará deles um cidadão respeitável e aceito no meio em que vive.
Isso gera sem dúvida nenhuma uma distorção ao ponto de que um CELULAR vire motivo para que sem nenhum tipo de piedade ou compaixão um jovem meta a bala na cabeça de uma pessoa.

Não estou com isso tirando a responsabilidade e a NECESSIDADE de pegar o CRIMINOSO - seja ele de qualquer idade - E COLOCÁ-LO para cumprir a pena que merece por desrespeitar a lei e cometer um crime. Temos de PROCURAR OBSERVAR COMO FAREMOS ISSO DE FORMA QUE NÃO ERREMOS NOVAMENTE NA ÂNSIA de apenas PUNIR sem resgatar e oferecer reabilitação dos criminosos.

Quando crianças e jovens desse país tiverem acesso a educação, respeito, cuidado por parte do GOVERNO eu serei o primeiro a levantar a bandeira da REDUÇÃO DA MAIOR IDADE. Mas enquanto isso não acontecer será apenas mais um paliativo para responder por algo que é o nosso MAIOR PROBLEMA.
O DESINTERESSE PELA POLÍTICA E PELA COBRANÇA DOS DIREITOS BÁSICOS DO CIDADÃO.
Pode não parecer, mas esses crimes são crimes políticos - na medida que interpretamos que na ausência do ESTADO na construção de uma sociedade JUSTA para TODOS é que nascem as brechas para que jovens busquem o caminho do crime.

Sei que muitos discordarão de mim. Pois estão sensibilizados com mais esse triste acontecimento. Mas quando estamos falando de uma LEGISLAÇÃO, precisamos agir de forma RACIONAL e não puramente emocional.

Espero que este post sirva no mínimo para que possamos REFLETIR SOBRE O TEMA.

Bom Debate para todos.
Deixo um vídeo de uma participação minha num debate sobre o ASSUNTO - EM 2007"

Redução da Maior Idade Penal - Tico Sta Cruz - Detonautas
http://www.youtube.com/watch?v=Fkvq6I3xxnQ
DEBATE : REDUÇÃO DA MAIOR IDADE PENAL...CONTRA OU A FAVOR???

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Amigos,

Quero sugerir principalmente para quem mora no Rio de Janeiro, um lugar sério e com um preço justo, onde possam usufruir de terapias Holisticas, tais como Acupuntura, Moxabustão e Shiatsu.  Particularmente em Acupuntura, indico o Newton como um excelente profissional . Sofro de dores lombares e tive uma melhora muito grande em algumas poucas seções.

Newton Bley 
    Bacharel em Arquitetura pela Universidade Metodista Bennet
    Pós Graduação em Docência do Ensino Superior pela Universidade Candido Mendes
    Formação em Acupuntura pelo CEATA
    Chi Gong pelo Yo San Institute of TCM
    Curso técnico em Massagem pelo Senac
    Formação em massagem Bionergética pala Multiversidade
    Especialista em Acupuntura pelo Combrac-Conselho Brasileiro de Acupuntura
    Formação em Quiropratica pelo Instituto Brasileiro de Quiropraxia



    Asbamtho

    www.asbamtho.com.br/

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    Amigos, Amigas e familiares,

           Estou criando esse espaço para poder veicular minhas ideias, assuntos que acho serem interessantes o compartilhamento, enfim, um ambiente para livre e sadia discussão e "quase sem censura". Ficando esta somente, para casos extremos, onde houver o uso de palavras e/ou conteúdo, claramente inapropriados ao ambiente.

          Começa sem frescuras, mas aos poucos quando dominar mais a ferramenta e é claro com ajuda dos meus queridos filhos, vou melhorando o visual.

          REFLEXÕES:

           Uma frase de Paulo Freire muito me sensibilizou, pois sintetiza muito bem a necessidade maior de AÇÃO em vez de somente FALAÇÃO.
         
    "É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal maneira que num dado momento a tua fala seja a tua prática."Paulo Freire

          Outra frase ouvida em roda de amigos, muito me preocupou.... " Todos Tem seu PREÇO" 

         Será verdade? Serão TODOS?  Será a maioria?  Existirão IDEALISTAS? 


                                    Abraços e beijos    contursi